26 de janeiro de 2012

Pesquisa de Campo XX

Pelo o que eu falo, há sempre um retorno que vem através do um silêncio veloz e nervoso, expressões hilárias, divertidas, muita força pilhando o trabalho, e é claro, alguns ofendidos por pouca visão, sem falar dos malucos que não consigo traduzir. PESQUISA DE CAMPO é o que eu consigo lembrar depois da constante guerra que é nossa “civilidade”.
DVT – Discurso Viabilizador do Tralala

(Homem de 30 após o DVT)
Homem – É preciso ter cuidado com o que tu fala. Todos nós precisamos consumir.
Tralala – Mas não com essa voracidade superficial da nossa civilização. É muita sujeira para manter isso.
Homem – Aos poucos vamos ajustando esse processo.
Tralala – O poder só ajusta a economia.

(Mulher de 40 após o DVT)
Mulher – Não posso ser radical, eu trabalho com farmácia. Se eu pensar assim vou à falência.
Tralala – Radical para mim é quem pensa só nessa forma de vida que levamos.
Mulher – Mas como é que vou ter segurança quando envelhecer se eu não trabalhar duro. E sem remédio as pessoas morrem.
Tralala – Quanto a isso, tem outras maneiras de tratar as pessoas e viver mais intensamente o presente.
Mulher (sem parar de correr) – Tenho mais o que fazer do que jogar conversa fora.

(Homem de 30 após o DVT)
Homem – Tu é um otário.
Tralala – Pela tua expressão você deve se achar uma grande pessoa?
Homem – Pago todas as minhas contas e não devo nada a ninguém.
Tralala –Teu lugar no céu deve estar garantido por isso.

(Mulher de 50 depois do DVT)
Mulher – O que tu está fazendo é um exemplo para todos. Já entrei em depressão a respeito do assunto que falas. Me dá um abraço, você está tentando salvar o nosso mundo.

(Homem de 40 após o DVT)
Homem – Nunca parei na rua pra ninguém. Nem aceito papel quando me dão. Mas a tua abordagem é sensacional. Vale a pena te ouvir.

(André/21, depois do DVT)
André – O zine Tralala é bom porque mostra que não é preciso agir e pensar igual para ser inteiro.

(Homem de 30 ouve impressionado um DVT e responde com um clichê)
Homem – A gente faz o que pode.
Tralala – E quem diz o que pode ou não pode merece nossa atenção?
Homem – (assustado nem responde)

(Homem de 30 após o DVT)
Homem – Tu usa droga?
Tralala – Ilícita ou lícita? Precisa ser drogado para falar isso?
Homem – É por causa da velocidade da tua fala.
Tralala – Só falando assim para impactar as pessoas que passam apressadas por aqui.
Homem – Só falei isso porque é rápido mesmo.
Tralala – Se não largar a adrenalina nunca conseguiria passar um trabalho como este.
Homem – (tira uma nota e colabora com o zine).


(Homem de 40 colabora incentivando o Tralala)
Tralala – Obrigado.
Homem – Obrigado você por ter essa idéia tão criativa. São trabalhos como este que devemos incentivar.

(Mulher de 30 reconhecendo o Tralala)
Mulher – Sabe que eu estava pensando em você hoje. Eu torço por ti.
Tralala – E eu agora por ti. O Tralala é uma fonte de prazer no movimento que domino. Devo a ele vários contatos e relações nesses 6 anos de intervenção.

(Homem de 50 durante um DVT)
Homem – Logo vai chegar uma onda repressiva e tu vai ser preso.
Tralala – A repressão está na cultura e no consumo. Sou peixe pequeno. Eles nem sabem que eu existo.
Homem – Que nada, pessoas como você é que fazem a diferença. Até eu vou ser preso. (colabora e leva o T26)

(Homem de 40 provoca o Tralala)
Homem – Tu não se sente um imbecil fazendo isso?
Tralala – Um pouco sim, mas eu mesclo com a euforia e logo some esse sentimento negativo.
Homem – Mas o que tu ganha com isso?
Tralala – Além da autogestão eu ganho prática nas abordagens que faço.

(Casal durante um DVT)
Tralala – (DVTniando sob o olhar cerrado do homem)
Mulher – (mexe na bolsa e tenta me dar um trocado)
Homem (segura a mão da mulher aos gritos) – Tu não vai dar nada para ele. Eu não quero. (os dois começam a brigar no calçadão sem parar de caminhar rápido)
Tralala –(paro e acompanho a cena de longe)

(Homem de 40 reconhecendo o Tralala)
Homem – Te conheço há alguns anos. Muito obrigado pela tua resistência.

26 de novembro de 2011

Teoria da Gambiarra


Se aos símbolos e convenções obedecemos, e então é a partir deles ressignificados que estudaremos um modo para abrirmos uma janela de escape do domínio deles, desatando o primeiro nó em nós que foi dado: o umbigo. Arremate que o social transforma em casca toxica da aparência, burra mesmo pois se consome na busca daquela beleza.
Desconfio muito mais naqueles quem prega o bem supremo, do que da marginália e do povão. Eles na sua originalidade não foram feitos para lamber botas, estão mais para resolver seus problemas, dando um desenvolvimento criativo aonde não tem recurso, e o fazer a gambiarra é a saida urbana popular.
Esses dias mostrei o Tralala para um artista que mangueia zine e poesia. Ele me pediu se poderia fazer mais xerox daquele trabalho, e eu disse: - Claro. Liberei e dei mais um para não perder o original. O original mesmo é o feito de colagens.
Me encontrei com ele depois e ele estava com um monte de Tralalas. Falei para me dizer quantos vendeu para eu registrar mesmo sem ganhos, já que esse numero já está no 1400. Não houve retorno, ainda, mas percebi que o Tralala teve saída ou melhor, houve um escoamento de uma contra informação, de estética comportamental, e todo mundo ganha com isso.

1 de setembro de 2011

Registro interventivo tralalariano...

Nesses 65 meses de intervenção urbana que vai de abril de 2006 à agosto de 2011, foram vendidos 19.382 Tralalas em 702 dias, em uma média de 2h30 por dia, e foram arrecadados CR$ 24.061,00.
Desde que comecei a abordar as pessoas e passar o zine Tralala, percebi que é possível realizar através da criatividade uma autogestão. Não é fácil mas é gratificante levantar recursos com um trabalho que é seu e único.
O que não é fácil vira prazer ao contato despretensioso e sério nas rua...
Vamos embora que o Tralala 27 vem ai...

13 de maio de 2011

Pesquisa de Campo XIX

A "Pesquisa de Campo" são anotações das reações das pessoas as minhas abordagens nas ruas que eu chamo de DVT. Essa pesquisa é uma estratégia poética, quixotesca e visionária para passar o zine Tralala e abrir uma discussão a respeito da nossa insustentável civilização.

DVT - DISCURSO VIABILIZADOR DO TRALALA

(Homem de 50 após ouvir rindo um DVT)
Homem
– Eu amo carne. Por mim que o mundo exploda com todo mundo dentro. Não vou deixar de comer meu churrasquinho de final de semana.
Tralala – Não dá pra deixar de fazer o que a gente gosta e tem prazer. Uma cervejinha e coisa e tal. Mas quem sabe um Tralala?
(não para, não leva e sair sorrindo)

(Menina de 20 e poucos reconhece no centro o zine Tralala)
Menina
– Me lembro de você. Até li aquela pesquisa de campo que fala do carinha que queria te bater.
Tralala – É, foi um encontro ríspido, mas tudo saiu bem.
Menina (sorridente) – Me dá um desses pra mim.
Tralala – O que tu me dá em troca?
Menina (puxa do bolso 2R$)
Tralala
– Obrigado pela colaboração e pelo seu lindo sorriso.(era lindo mesmo)

(Homem de 40 sério após um DVT)
Homem
– Te cuida !

(Homem de 30 manifesta não gostar da abordagem)
Homem
– Se tu não parar de falar eu vou te arrebentar.
Tralala (diminuindo a velocidade) – É aqui que mora o perigo da marreta crítica.

(Mulher de 40 responde ao DVT)
Mulher
– Eu já pago todos meus impostos e não preciso ficar pensando em todas essas coisas que tu falaste. Com é mesmo, há: “estamos em extinção”. Olha ao teu redor o monte de gente passando.(empinando o nariz) Francamente! Como é que pode ser se a cada dia tem mais gente na terra?
Tralala (olhando calmo nos olhos dela) – Mas sem água e o oxigênio, não importa o números de civilizados e nem sua gordura, pode ter 10 bilhões que todos precisamos de água e oxigênio para viver!
Mulher (pensativa balançando a cabeça esboça um reação) – Mas sabe que tu até pode ter razão, eu não tinha pensado nisto.

(Reação negativa de um homem de 50)
Homem
– Vai incomodar outro cidadão.

(Homem de 40 transmite sua impressão durante um DVT)
Homem
- Eu concordo com o que tu diz mas eu sinto que está acontecendo outra coisa no planeta.
Tralala - O que é ?
Homem - Eu não quero dizer porque é muito ruim.
Tralala (insistindo um pouco) - Fala que eu escuto.
Homem - Tá bom. Eu sinto que tem uns ovinis influenciado as pessoas para o mal.
Tralala - Mas nesse caso tem os do bem também(ele concorda). Talvez isso seja da cabeça das pessoas mesmo. Esse mal deve estar dentro de nós (ele concorda). Então isso não é influência dos alienígenas, e pode ser uma má interpretação da humanidade que gera essa competição maluca que conseqüentemente gera o mal.
Homem (concordando colabora com o Tralala)

10 de abril de 2011

Alguns contágios libertários

Niilismo,Friedrich Nietzsche,Franz Kafka,dadaísmo,Antonin Artaud,Blues,Williman Reich,Hermeto Pascoal,Kurt Schwitters,Jimi Hendrix,Pier Paolo Pasolini,Jackson Pollock,Augusto dos Anjos,John Zerzan,Tom Zé,Aldous Huxley,John Cage,Helio Oiticica,Joseph Beuys,Marcel Duchamp,Max Ernst,Hakin Bey,Jasper Johns,ludismo,
Mercier Cunningham,Jazz,Rock’n'roll,Chorinho,Samba,Antropofagia,Poesia Concreta,Unabomber,Situacionismo,Anarco-primitivismo,Existencialismo,Gestalt, Contracultura,Minimalismo,Beatniks,provos,punk,psicodelia,tropicalismo,performance,
happening,bicicletada,veganismo,Bauhaus,Foucault,Mallarmé,Baudelaire,
Lautréamont,Rimbaud,Herman Nitsche,Maiakovski,E.AllanPoe,OscarWild,Allen Ginsberg,Anthony Burgess,Carlos Castañeda,Timothy Leary, Jack Kerouac,Garcia Lorca,Walt Whitman,Fernando Pessoa,Georg Heym,Manuel Bandeira,Oswald de Andrade, Mário Quintana,Vinícius de Moraes,Graciliano Ramos,Clarice Lispector,João Cabral de Melo Neto,Nelson Rodrigues,José Saramago,Guimarães Rosa, Manoel de Barros,Paulo Leminski,Lima Barreto,Roberto Freire,Paulo Freire,Marilena Chauí,Ariano Suassuna,Liechtenstein,Malievich,Kandinsky,Van Gogh, Frida Kahlo, Toulouse-Lautrec,Paul Klee,René Magritte,Man Ray,Joan Miro,Rauschenberg, Chagall, Siron Franco,Arnold Schönberg,Igor Stravinsky,Maurice Ravel,Claude Debussy, Heitor Villa-Lobos,Manuel de Falla,Karlheinz Stockhausen,Andy Warhol,Pina Bausch,Martha Graham,Rudolf Laban,Vaslav Nijinsky,Piazzola,Louis Armstrong,Charlie Parker,Miles Davis,John Coltrem,Ornette Coleman,Nana Vasconcelos,Toninho Horta,Egberto Gismonti, Charles Mingus,Chet Beker,Bobby McFerrin,Al Di Meola, Banden Powell,Bob Dylan,Rolling Stones,Frank Zappa,Jonh Zorn,Van Der Graff,King Krinson,Soft Machine,Brian Eno,Tangerine Dream,John Lee Hoker, Bessie Smith,Billie Holiday,Nina Simoni,Ella Fitgerald,Violeta Parra,Vitor Jarra, Atahualpa Yupanqui,Mercedes Sosa,Dizzy Glaspy,Kraftwerk,Joy Division,Bob Marley,Chico Buarque,Ednardo,Geraldo Vandré,Walter Franco,Elis Regina,Lupicinio Rodrigues,Cartola, Raul Seixas,Cazuza,Renato Russo,Cássia Eller,Itamar Asunção,Mutantes,Giantle Giant,Chico Sciense,Alfred Jarry, Grotowisky,Meierhold,Piscator,Brecht,Augusto Boal,Commedia del‘arte,Living Theatre,Beckett,Heiner Müller,Pirandello,Jean Cocteau,Tadeusz Kantor,Dario Fo,Jean Genet,Eugène Ionesco,Harold Pinter,Tennessee Williams,José Celso,Lutzemberg,Carlos Saura,Chaplin,Irmãos Marx,Andrei Tarkovsky,Stanley Kubrick,Felini,David Lynch,Win Wender,Almodóvar,Glauber Rocha,Garrincha,Pasquim,capoeira,ilha das flores,Antonio Conselheiro,Lampião,Carlos Lamarca,Marighela,Ned Ludd,Max Stirner,Kropotkin, Proudhon,Bakunin,Tolstoi,Thoreau,Malatesta,Emma Goldman,Buenaventura Durruti, Apollinaire,Serguei Einseintein,Virginia Woolf,Modrian,Le Corbusier,Marinetti,De Stijl,Hemingway,Gertrude Stein,Nijinski,Albert Camus,Jean-Paul Sartre,Simone de Beauvoir,Schopenhauer,Sex Pistols,T.Rex,David Bowie,Ramones,Amon Düül,Jaco Pastorius, Flora Purim,Iggy Pop,Romeu Castellucci,Guy Debord,Raoul Vaneigem,Jorge Luis Borges, Julio Cortázar...

17 de março de 2011

Pesquisa de Campo XVIII



DVT quer dizer Discurso Viabilizador do Tralala

(Mulher de 40 após um DVT)
Mulher – Prefiro não me aprofundar, esse assunto é muito complexo.
Tralala – Tu está propondo uma alienação?
Mulher – Prefiro não me envolver.

(Homem de 40 responde ao DVT)
Homem
– Eu só uso dinheiro de plástico, é mais pratico.
Tralala – Do plástico para o chip debaixo da pele.
Homem – Ai vai ficar bem melhor.
Tralala – Para as empresas também. Meus pêsames.

(Jovem de 20 ri muito durante o DVT)
Jovem
– Eu estou rindo porque meu irmão já tinha falado de você.
Tralala – Falou bem ou mal do Tralala?
Jovem – Falou bem e também que o teu trabalho deu um bom embasamento para ele na redação do vestibular.
Tralala – Fico feliz por isso.

(Homem de 40 depois do DVT)
Homem
– Sabe que eu tenho uns quatro Tralalas expostos em um mural em casa e até sublinhei alguns trechos deles.

(Mulher de 40 durante um DVT)
Mulher
– Eu não gosto desse tipo de assunto, desse jeito que tu aborda as pessoas.
Tralala – Eu não procuro a unanimidade, mas mesmo assim obrigado pela tua expressão.

(Homem de 50 ouve atentamente o DVT)
Homem
– Eu nunca dou atenção para quem quer me parar nas ruas, mas você me impressionou pela tua abordagem. Parabéns pelo teu trabalho.

(Homem de 30 refutando o DVT)
Homem
– Tu nunca vai conseguir nada com esse tipo de abordagem e assunto nas ruas.
Tralala – Tu é que pensa, já estou com o bolso cheio de moedas e papel por causa dele.
Homem – (bravo e espantado sai. Alguns minutos depois flagro observando as minhas abordagens)

(Mulher de 40 ouve atentamente o DVT)
Mulher
– Só pela tua abordagem percebo que o assunto é sério.

(Homem de 30 reconhecendo o Tralala)
Homem
– Me dá um abraço. Teu trabalho é excelente.
Tralala (abraço ele e falo algumas coisas enquanto procura um trocado) – Então me dá um outro abraço também.

(Homem de 40 após ouvir o DVT)
Homem
– O modo que tu apresenta o teu trabalho é muito criativo. Se algum economista te achar você pode arrecadar mais recursos. O teu projeto é o que mais falta no mundo dos negócios.
Tralala – Já me falaram isso antes.
Homem – Tu pode vender o teu projeto para as empresas que apostam na criatividade.
Tralala – As possibilidades estão ai é só se organizar. Eu vivo a minha existência e o Tralala é fruto disso.
Homem – (retira do bolso uma nota de $20, tento dar outro Tralala mas ele não aceita) - Um trabalho só já está bom.

(casal de 30, mesmo puxado pela mulher pude tirar essa pérola do seu companheiro)
Homem –
A assembléia legislativa é logo ali. Porque tu não vai falar com os políticos a esse respeito?
Tralala – A grande maioria dos políticos fazem parte desse jogo de interesses que não resolvem nada.

(Homem de 60, excêntrico e historiador nascido na ilha chama a atenção do meu sotaque)
Homem
– Mas vocês abrem muito o “e”. Um dia uma gaúcha falou-me lá na lagoa que não agüentava mais o seu sotaque.
Tralala – Mas vocês também falam diferente, comem letras e nem por isso a comunicação atrapalha. O mais importante é não se fechar em bairrismos e crenças. Eu consigo me comunicar bem com qualquer pessoa, e não tenho preconceito.
Homem – Mas vocês deviam se controlar mais para não falar assim, afinal vocês vieram para cá porque aqui é lindo.
Tralala – Concordo com a beleza mas discordo da opinião de uma cultura sobrepor a outra. Você sabe que o gaúcho tradicional tem isso muito mais difundido e eu sou contra o etnocentrismo. É um erro reproduzi-la pelo mundo a fora, mas entendo a aversão a ela.
Homem – (Não leva o Tralala mas sai sorrindo)

(Mulher de 40 após um DVT)
Mulher
– Eu acabei de sair de uma seção de psicanálise porque estou muito deprimida.
Tralala – A depressão cresce a passos largos no ocidente e é efeito colateral de uma civilização que se alimenta mal e adora os objetos.
Mulher – (com os olhos longe puxa algum trocado para colaborar)
Tralala – Esse Tralala tem um texto que faz conexão com a origem da depressão que vem do controle patriarcal para não nos satisfazermos completamente.
Mulher – (com os olhos de sede esboça um tímido sorriso, dá alguns trocados e vai embora)

(Homem de 30 que já conhece o Tralala)
Homem
– Aquela “pesquisa de campo” é muito boa. Deveria ter em todos os Tralalas.
Tralala – Gostei da tua dica. Vou elaborar uma pesquisa de campo enorme no próximo numero.

(Homem de 50 após o DVT)
Homem
– Essa poluição que estamos fazendo depois a gente limpa tudo.
Tralala – Esse argumento é de quem está no poder. Você participa dele?
Homem – Todos temos que escolher. Uns escolhem o poder e outros escolhem encher o saco de quem passa por aqui.
Tralala – Bom, desculpa e obrigado pela sua manifestação.

(Homem de 20 e poucos responde apressado a abordagem DVTniana)
Homem
– Isso que tu faz é falcatrua.
Tralala – Deve ser porque estou inventando e trabalhando para mim mesmo.

(Homem de 40, agressivo rebate e quase agride o Tralala quando falo de contracultura)
Homem
– O que é contracultura? Tu não sabe o que é isso.
Tralala – Mas porque você está reagindo assim?
Homem – E ainda é gaúcho, povinho pedante.
Tralala (tentando sair fora) – Eu só estou fazendo o meu trabalho.
Homem – Você está trabalhando para uns paus no cú.
Tralala - Mas tu é violento.
Homem – Não sou violento, eu sou agressivo.
Tralala (envolvido no clima tenta se afastar)
Homem (se posta na minha frente)
– Vai querer encarar?
Tralala – Prefiro deixar assim.
Homem – Vocês gaúchos são prepotentes.
Tralala (me afasto falando) – Essa briga não é minha.
Homem (vocifera alto mais algumas palavras como gaúcho pretensioso)

(Homem de 30 reage quando digo que estamos em extinção)
Homem
– Jesus te ama e nada disso vai acontecer.
Tralala – Eu já acho que quando estamos delirando sem nem uma substância o estágio já está letal.
Homem – Deixa jesus entrar no seu coração.
Tralala – Ele já entrou no seu?
Homem – Claro, jesus é a salvação.
Tralala – No meu entra outras coisas bem mais diversas do que uma idéia fixa.
Homem – Deixa jesus te salvar (erguendo os dois braços para o céu)
Tralala – Ta bom não se pode ganhar todas.

(Mulher de 30 após minha abordagem)
Mulher
– Esta tua abordagem é sensacional. O jeito que tu invade o individual de quem passa por aqui é muito criativo. E o assunto é serio e mesmo assim é divertido de ouvir. Acompanho o teu trabalho como posso, visitando o teu blog.
Tralala – A simpatia das pessoas e comentários como este é a carga na pilha do Tralala.

25 de janeiro de 2011

A religião é a perda do caráter da pesquisa e de nossa liberdade, delegando para os outros a tentativa de sermos nós mesmos.
A religião não passa de uma manipulação.

23 de dezembro de 2010

Tralala e o ato de profanar

"Hoje é preciso ter orgulho da marginalidade, porque é escandaloso viver bem"
Paulina Nólibos


Profanar é crime a muito tempo nas regiões de domínio religioso patriarcal, que é quase a totalidade do ocidente, onde impera a cristolatria .

Eu sou um profanador, minha atitude de vender um zine e divulgar a contracultura me dá essa liberdade, é um poder de restituição do indivíduo, não aceitando a subjugação das instituições em detrimento da liberdade individual. Vale muito mais um ato de loucura de um cidadão vociferando aos quatro ventos, do que toda a falsa participação coletiva.

Minha profanação é uma intervenção urbana, uma guerrilha poética, um relógio com náuseas, por isso o verbo vomitado, narrativa meio palhaço sem mascara, que desbloqueia através dos sorrisos, intervenção DVTniana que nada mais é do que uma ponte que grita nos dois lados de nossa percepção, dizendo que podemos sair da esfera do espetáculo e gerar recursos. “Meus pêsames, estamos em extinção”. Uma frase que profana toda a civilização ocidental, e chama a reflexão. Esse trabalho é feito em cima da experiência política e poética do zine Tralala, uma contínua profanação a essa estrutura patriarcal, das crenças e do estado mercantil empresarial que domina nossa humanidade a pelo menos 10.000 anos, que é o tempo de nossa queda.

O corpo em nossa civilização é mero coadjuvante do raciocínio. Platão fechou bem esse conceito. Este corpo que é profano por natureza, tem sua repressão datada de quando os algozes do poder suprimiram a sexualidade em favor da produção, fomentando a moral e nos enjaulando em uma couraça de angustia, de símbolos e depressão. Esse corpo que resgatamos quando não estamos na produção sistêmica, esses poucos momento que sobram não resgatam 1% de toda a atividade corporal através dos tempos, e que estão gravados nos instintos, e que são permanentemente sufocados pelas organizações estruturais econômicas. Jeito de pensar comum da cultura ocidental, adquirida pela privação, pelos ordeiros de plantão, sem falar da morte de um “deus”, que com essa mentira, depositaram o peso do seu corpo em nossas costas eternas.

Saindo da esfera do espetáculo e gerando recursos, coloco-me como um profanador, atitude que assumo no dia a dia, como uma pesquisa viva de criação. O DVT – discurso viabilizador do tralala – é isso e mais um pouco, é uma descoberta no território das ruas de que a consciência dilatada pela procura dos tempos, e também dos espaços, trazem uma certa independência com uma autentica peculiaridade. É como um resgate de um jogo que se perdeu na esfera da religião capitalista, que condicionou todos os nossos sentidos em obediência voluntária. Por isso quanto mais tempo tiver sua desilusão, mais experiência, resistência e criação terá suas atitudes.

O que a história oficial cria é uma esquizofrenia, um mostrar e reter, seduzir e negar, interromper. Isso movimenta a economia. Uma pessoa frustrada consome muito mais do que uma pessoa completa em si. De uma coisa estou certo, tememos muito mais do que acreditamos, e com o medo você não lhe pertence, e não lhe pertencendo trabalha pros outros. Isso é a grande invenção manipuladora civilizatória. A escassez que movimenta o sistema.

A invenção da religião talvez seja o fato mais condicionante até hoje. O alto grau de amplitude do seu poder vai transmigrando e hoje é na ciência que ela opera, reconvertendo a mentira divina em abstração organizada. Por isso toda a profanação é saudável em sua amplidão.

De uma coisa estou certo, o marginal contém um alto grau de criatividade, e a gambiarra é uma arma autentica das nossas necessidades.

21 de outubro de 2010

Tralala 25

Intervenção urbana – guerrilha poética – um relógio com náuseas, por isso o verbo vomitado, narrativa meio palhaço sem mascara que desbloqueia a poética do sorriso. Intervenção DVTniana que nada mais é do que uma ponte que grita nos dois lados de nossa percepção, dizendo que podemos sair da esfera do espetáculo e gerar recursos. “Meus pêsames, estamos em extinção”, o grande salto tralalariano.

DVT = discurso viabilizador do tralala

29 de setembro de 2010

Na Brasa de Pindorama

O performance Beto Chaves, do curso de Artes Cênicas,foi preso por atentado ao pudor dentro da UFSC em frente ao RU, quarta dia 22 de setembro, pelos seguranças dessa instituição.
Ele estava sendo acompanhado por duas câmeras. Uma que focava praticamente a reação das pessoas ao redor, que acompanhavam e passavam na sua maioria na fila do RU. A outra câmera focada exclusivamente no performance.
A imagem do homem enrolado na bandeira do Brasil, com uma gaiola enfiada na cabeça, e num determinado momento a bandeira cai e deixava exposto o paradigma da genitália, que é o corpo nu, despido de marcas e trapos que tapam, que a força da civilização, do trabalho e da família vestiram em nome do progresso dos outros e das instituições.
A obscenidade está nos olhos daqueles que se ofendem e fazem valer muito mais o seu trauma infantil do que a superação e a procura do prazer e da alteridade.
O controle sobre o nosso desejo e liberdades é o marco determinante na construção da civilização ocidental, aperfeiçoado pela cristandade e depois recondicionado pelo discurso da ciência. O civilizado somos nós, que moramos e pensamos em estruturas, que inventamos moralismos, que não tolera a liberdade porque está preso que nem passarinho, como a gaiola que o Beto vestia a sua cabeça. Estamos espremidos no jeans e quando tem um que tira literal toda essa estampa do comportamento, acaba constrangendo uma massa que não tem coragem de se libertar e agir. Os Fatos é que fomos acostumados pela doméstica economia civilizatória, que não tolera o que é humano, a não ser quando este vira um consumidor.
O indivíduo que é livre e busca no seu processo escutar o que o corpo diz, subverter todas as formas de poder, e quem é livre não admite o controle. O que o Beto fez foi sair do discurso e colocar na prática “o sair da gaiola”, ofendeu os olhos de muitos que não acreditam em si, e sim em algo externo a si, geralmente tradicional e de controle moral. É revoltante mas ao mesmo tempo estimulante saber que tudo isso aconteceu, as risadas, os deboche, de todo o nervosismo no ar, na abordagem dos seguranças. Tudo isso significa que o corpo nu apresentado, como foi na performance do Beto, uma ação simples, quebrou toda uma estrutura industrial, mecânica, autoritária, metafísica de pensar e agir.
O resgate da corporeidade será sempre necessário para contrapor o pudor cultivado pela família nuclear, no estado de sítio permanente das emoções.
O atentado ao pudor público do Beto feriu no intimo de todos que estão envolvidos nesse processo, tantos os de lá quantos os de cá.
Porque o corpo agride muito mais do que as palavras?
A resposta é que o corpo não deve e não pode falar. A idéia é que o big brother conhece muito mais o nosso corpo do que nós, e no caso de Santa Catarina, deus vigia a gente, que não é diferente dos olhos da ciência ou do satélite político da tecnologia, do pai, do filho, do espírito santo. E a mulher que pariu todos os machos, a onde ela fica na hierarquia? É claro, a cozinha da alcova.
“Na brasa de Pindorama” vem com um peso político policial, que bem aproveitado pode geral bons frutos na mudança dos comportamentos. Pelos elementos propagados dentro do contexto do conhecimento, foi uma manifestação que rompe os paradigmas civilizatórios, semelhantes - guardadas as devidas proporções de espaço e tempo - as manifestações dadaístas, como também no teatro de Antonioni Artaud, causadores de estranhamento e confusão social.
Estando sempre no processo, assim como foi 95% da nossa humanidade, acredito que o corpo nu exposto muito tempo fariam as pessoas se despirem, e ai eu perguntaria: Quem iria ao trabalho no dia seguinte ao grande bacanal da salvação eterna?

“Na Brasa de Pindorama” pode ser o início do movimento do "corpo nu" na UFSC, pelo menos essa performance que ainda não acabou já causou algumas discussões aqui e fora do pais. Até dá para imaginar alguém em outro lugar informando: - Lá em Florianópolis tem um curso de Artes Cênicas se manifestando através do resgate da nossa corporeidade.
Já era tempo.........
Luca Leicam

À baixo a versão de um acadêmico Tadeu do cinema da UFSC.

11 de junho de 2010

O fluxo jazzistico de uma escada ao Perfornalha


Começei como uma escada, com o tempo virei uma antena, agora sou um canal de fluxo contínuo, traduzo isso como uma magia, de uma alegria da existência, mas poucas vezes eu tenho esse fluxo acordado. Por isso procuro viver intensamente todos os dia, e nada mais arriscado do que seja sempre o equilibrar-se nas cordas bambas de um fluxo jazzistico da existência.
E quanto ao risco, tenho uma performance para ser feita dia 23 de junho, no início da noite, em frente o CCE na UFSC, e até agora eu não sei bem como vai ser. Tenho um desenho esculpido na mente, a elaboração de algumas ações,alguns textos para ler... Mas o que importa nisso tudo é que o Perfornalha é um dia de performance na UFSC.
Vai lá tentar digeris!

21 de abril de 2010

Influências Tralarianas


Em 1994, quando era programador musical da FM Medianeira de Santa Maria no Rio Grande do Sul, em que fazia uma salada musical com pesquisa e qualidade, recebi na porta da rádio o fanzine Uhuru do meu amigo Heitor Freire Pires. Logo pensei em produzir um fanzine aos moldes do Uhuru, que é em folha A4 com seis páginas, fato que se concretizou em 1996 (no inicio desse blog eu conto melhor essa história). Até hoje o tralala vem em uma evolução ferrenha, e a quatro anos esse zine botou a cara nas ruas para provocar seus transeuntes, estratégia dadaista que vem dando certo.
Aqui está a foto da primeira edição do Uhuru, que era um zine de poesias...

13 de abril de 2010

Alguns DVT para refrescar a memória

Aqui está uma parte do DISCURSO VIABILIZADOR DO TRALALA, o teatro DVTniano de rua desse fanzine xerocrático autogestor.


FANZINE DE CONTRACULTURA – A CRITICA DAS CIDADES QUE SÃO VOLTADAS AO MOTOR À COMBUSTÃO. ESTE FANZINE TEM ARGUMENTAÇÃO PESADA CONTRA A OFICIALIDADE. A MUITO TEMPO O MOTOR VEM INTERMEDIANDO AS RELAÇÕES HUMANAS, ALÉM DE SER ACULTURA/INDUSTRIA QUE MAIS DEGRADA O ECOSISTEMA. O AUTOMÓVEL VIROU MUITO MAIS UM MEIO DE IDENTIDADE E OPRESSÃO DO SER HUMANO DO QUE UM MEIO DE TRANSPORTE. O AUTOMÓVEL DEFINE A POSIÇÃO SOCIO-POLITICA DO INDIVIDUO NA SOCIEDADE. ELE NADA MAIS É DO QUE UMA “CAIXA DE OSTENTAÇÃO DE STATUS”, ESSE TERMO FOI TIRADO DOS PROVOS – GRUPO DE CONTRACULTURA DE AMSTERDAN DE 66.


O ANARQUISMO NÃO É BAGUNÇA, DESORGANIZAÇÃO COMO A MÍDIA E O
SENSO COMUM PASSA OU DIVULGA. ATRAVÉS DA ORIGEM DA PALAVRA GREGA COMEÇAMOS A DESVENDAR QUE O ANARQUISMO VEM A SER AUTO-CONHECIMENTO, AJUDA MUTUA, ORGANICIDADE NO COMPORTAMENTO.


A ANTROPOLOGIA DO RELÓGIO – MECANISMO QUE COMEÇA NO SECULO XI PARA BATER SINO EM CERTAS HORAS NA IGREJA, ATÉ VIR SE TRANSFORMAR EM UM PRODUTO QUE EXPLORA AS PESSOAS. LITERALMENTE SOMOS ESCRAVOS DESSE MECANISMO. COM VELOCIDADE, COMEMOS VÁRIOS RELÓGIOS POR DIA. EU PERGUNTO: COMO SE FAZ PARA DIGERIR ESSA MAQUINA, JÁ QUE TEMOS SETE METRO DE INTESTINO?


O DIREITO AUTORAL FOI UMA LEI QUE COMEÇOU NA INGLATTERRA DO SÉCULO XVII, COM O OBJETIVO DE PRIVATIZAR A CULTURA.


REICH E MARCUSE CONTRAPÕE O PRINCIPIO DA REALIDADE DE FREUD COM O PRINCÍPO DO PRAZER. PARA A GENTE SER FELIZ O PRAZER PRESCISA VENCER A REALIDADE.


O McDONALD’S NÃO É UMA CADEIA DE FEST-FOOD COMO APARENTA SER. É MAIS UM DEPOSITÁRIO DO LIBIDO REPRIMIDO EM UM AMBIENTE GLAMURIZADO. A MARCA GRIFE FUNCIONA COMO UM ANTI-DEPRESSÍVO PÓS-MODERNO. O McDONALD’S É POLÍTICA NORTE AMERICANA DE DESTRUIÇÃO DAS DIVERSSIDADES CULTURAIS. ABRINDO MERCADO A BALA.


AS TRÊS “VIRTUDES” QUE O SISTÊMA MAIS INCENTIVA SÃO: AUTO-SUGESTÃO, AUTO-REPRESSÃO E SIMULAÇÃO DE COMPETÊNCIA. PARA ACENDER ECONÔMICAMENTE, DEVEMOS NOS AUTO-ENGANAR E ENGANAR OS OUTROS.


NÃO HÁ RESPOSTAS, SÓ ESCOLHAS.


A IGREJA E O ESTADO TEM SUAS ORIGENS, E UM NÃO VIVE SEM O OUTRO. É POR CAUSA DESSAS INSTITUIÇÕES QUE O PLANETA ESTÁ AGONIZANDO.


FANZINE DE CONTRACULTURA É EMBASAMENTO TEÓRICO E CRÍTICO PARA INTERPRETAR NOSSA QUEDA CIVILIZATÓRIA. DENTRO DE ALGUNS ANOS A METADE DO PLANETA NÃO TERÁ ÁGUA TRATADA. UM BILHÃO E MEIO DE PESSOAS JÁ NÃO TEM ESSES RECURSSO NESSE MOMENTO. DAQUI ATRINTA ANOS, QUALQUER CENTRO URBANO DO OCIDENTE ESTARÁ INRRESPIRAVEL, POLUÍDO, TUDO POR CAUSA DA CULTURA DO MOTOR A COMBUSTÃO - AS CAIXAS DE METAIS OSTENTADORAS DE STATUS DO PRIVADO, DO AQUECIMENTO GLOBAL E DO MODELO ECONÔMICO DO HOMEM BRANCO FAZENDO BENS DE CONSUMO.


A GENTE ESTÁ RINDO PORQUE ESTAMOS TODOS PERDIDOS E NERVOSOS. ACELERAMOS O PASSO E CULTUAMOS A VELOCIDADE PARA FUGIR DE NÓS MESMOS.


COM 0S 4,5 MILHÕES DE ANOS DE EVOLUÇÃO DA ESPÉCIE HUMANA, ESTAMOS A CENTIMETROS DO ANIQUILAMENTO.


O SER HUMANO ILUDIDO NÃO ENTRA CONSCIÊNCIA. TEMOS QUE DESILUDIR AS PESSOAS PARA QUE A CONSCIÊNCIA E O SENSO CRÍTICO RETORNE PARA O NOSSO CÉREBRO, DE ONDE NUNCA DEVERIA TER SAIDO. ATUALMENTE A CONSCIÊNCIA E O SENSO CRÍTICO DEVEM ESTAR LÁ NO NOSSO CALCANHAR. É POR ISSO QUE VIVEMOS CHUTANDO AO NOSSO REDOR AS PESSOAS.


TERRORISMO POÉTICO E ARTE-SABOTAGEM SÃO UMA DAS ULTIMAS CHANCES PARA O CIVILIZADO SE MANIFESTAR.


CIVILIZAÇÃO É OPOSTO A LIBERDADE. É COMO TRANCAR O INDIVÍDUO EM CAIXINHAS. CIVILIZAÇÃO É DOMESTICAR.


A INCONSCIÊNCIA ALIMENTAR É FONTE DE LUCRO PARA AS INDÚSTRIAS DAS DOENÇAS E DOS ALIMENTOS. SEGUNDO O CONHECIMENTO ORIENTAL, TUDO QUE A GENTE INGERE, INFLUÊNCIA O NOSSO PENSAMENTO E COMPORTAMENTO. ALIMENTO RERFINADO, POBRE, QUE 95% DO OCIDENTAL SE ALIMENTA – O MERCADO USUFRUI DESSA NOSSA PREGUIÇA – , FICAMOS VULNERÁVEL AO SISTÊMA QUE É CONSUMISTA, JUSTAMENTE O QUE ESTÁ DESTRUINDO O PLANETA. MAS SE PORÉM, VOCÊ PROCURA UM ALIMENTO SADIU, SAUDÁVEL, INTEGRAL, VOCÊ VAI FICAR CENTRADO, NO SEU COMANDO, COM OPINIÃO PRÓPRIA, TUDO O QUE O SISTEMA NÃO QUER, POIS NÃO PODERÁ MANIPULA-LO.


MANIPULADOS SÃO OS CONSUMIDORES HIDROCARBURODEPENDENTES, MIMADOS PELOS TRAFICANTES DE PETRÓLEO – A INDUSTRIA DO SUFOCAMENTO PLANETÁRIO– SÃO ELES QUEM MANDAM E NOS ALIENAM!


PARA COMBATERMOS ESSA ESTRUTURA CULTURAL DA MORTE, PRESCISAMOS CONHECER O ANARQUISMO ANTI-CIVILIZAÇÃO, O BIOCENTRISMO, OS VEGANS, A ANARQUIA , O ANARQUISMO-VERDE, ANARCO-PRIMITIVISMO, O FUTURO PRIMITIVO DE JOHN ZERZAN.


FREEGANISMO – BOICOTE A SOCIEDADE DO TABALHO E CONSUMO. FREEGANISMO É UM BOICOTE A TODA A CRUELDADE.


FANZINE DE CONTRACULTURA. PARA INTERPRETAR A NOSSA DECADÊNCIA CIVILIZATÓRIA, QUE VEM A SER A FALTA DE AGUA E OXIGÊNIO, NOS CENTROS URBANOS. DENTRO DE DEZ ANOS A METADE DO PLANETA NÃO TERÁ AGUA TRATADA. UM TERÇO DA POPULAÇÃO DO PLANETA JÁ NÃO TEM ESSE RECURSSO. NÓS AINDA VAMOS CONTINUAR DANDO DESCARGA EM EXCREMENTOS , LAVAR CALÇADA, TUDO COM AGUA TRATADA, ATÉ CAIR A FICHA NO NOSSO UMBIGO. MAS SE AINDA NÃO CAIR, DENTRO DE TRINTA ANOS ELA CAI. ESSE TEMPO SERÁ SUFICIENTE PARA DEIXAR QUALQUER MÉDIO CENTRO URBANO DO OCIDENTE COM AR INTOLERÁVEL DE POLUIÇÃO, TUDO POR CAUSA DO MOTOR ACOMBUSTÃO, ESSA CAIXA DE OSTENTAÇÃO DE STATUS DO SISTEMA, O AUTOMÓVEL. O EFEITO ESTUFA QUE É O AQUECIMENTO GLOBAL E O MODELO ECONÔMICO DO HOMEM BRANCO, DE FAZER OBJETOS DE CONSUMO PARA DEIXAR AS VITRINES CHEIAS DE TECNOLOGIA BARATA. ISSO TUDO TEM UM CUSTO INRREPARÁVEL, QUE É A DESTRUIÇÃO. PROCESSO ECONÔMICO E CULTURAL AO MEU VER INRREVERSSÍVEL.


CONSUMISMO É UM ESTADO MENTAL DE DROGA, COM CONSEQUENCIAS MAIS PESADA DO QUE TODAS AS DORGAS LÍCITAS E INLÍCITAS JUNTAS, POIS ALÊM DE FAZER MAL PARA SÍ PRÓPRIO, ELE CAUSA DESTRUIÇÃO DA NOSSA ESPÉCIE. QUANTO MAIS ALIENADO, MAIS DOMINADO PELOS OBJETOS FICAMOS.


O FREEGANISMO É UMA ESTRATÉGIA DE AÇÃO QUE OS EUROPEUS E NORTE-AMERICANOS ESTÃO TOMANDO PARA SAIR DO MERCADO DE CONSUMO. JÁ QUE CHEGARAM A CONCLUSÃO QUE É O CONSUMISMO QUE ESTÁ AQUECENDO O PLANETA.


O HOMEM MACHO TEM UMA MANIA, QUE TEVE INÍCIO A DEZ MIL ANOS ATRAS, COM A CRIAÇÃO DO SISTEMA ECONÔMICO PATERNALISTA. ESSE SISTEMA DEIXAR TODO MUNDO AO SEU REDOR ESCRAVO DELE. O CASO DA MULHER NÃO ME DEIXA MENTIR. ELA FOI TRANSFORMADA EM BURRO DE CARGA E OBJETO SEXUAL. ESSE PROCESSO PATERNALISTA ESTA EM FAZE FINAL,COM A DESTRUIÇÃO DOS RECURSSOS NATURAIS DE AGUA E OXIGÊNIO.


A INTENÇÃO DE UM DEUS ONIPRESENTE FAZ PARTE DA MESMA INVENÇÃO DO SATÉLITE, QUE É VIGIAR. OS DOIS INTEGRAM O PROCESSO DE DOMESTICAÇÃO HUMANA PELO HOMEM MACHO FALOCRATA EMPRESARIAL. SEU ATO GENUÍNO É VIGIAR E PUNIR.


O ADULTO TEM MUITO MAIS QUE APRENDER COM A CRIANÇA DO QUE ELE TERIA PARA ENSINAR. PRECISAMOS REAPRENDER A BRINCAR, A ABSTRAIR, JOGAR, E ISSO QUEM SABE É A CRIANÇA.


O NOME DE FLORIANÓPOLIS É UMA HOMENAGEM AO ALGÓZ DESSA CIDADE. SEM NUNCA TER BOTADO AS BOTAS NA ILHA, FLORIANO PEIXOTO, O PRIMEIRO MILITAR GOLPISTA DA REPÚBLICA, QUE MANDOU MATAR QUASE DUZENTAS PESSOAS FUZILADAS. ESSA HOMENAGEM NÃO PASSA DE UMA ESTRATÉGIA DE PODER FEITA PARA REPRIMIR O POVO QUE MORA AQUI. ISSO ACARRETA UMA LATENTE ESQUIZOFRENIA.

20 de fevereiro de 2010

4 de fevereiro de 2010

PESQUISA DE CAMPO XVII

Tenho sido relapso com esse blog que vai fazer três anos. Não dá nada, o importante é a conquista diária que é feita nas ruas atraves dos DVTs.
O zine é resultado da pulsação de misturar política com poesia.
Agora venho manifestar outra face do trabalho que é a "Pesquisa de Campo" , que são anotações das reações dos transeuntes ao efeito DVTniano, o choque de sentidos que a abordagem do zine provoca.
Então vamos a Pesquisa de Campo XVII.

(Homem de 30 após um DVT)
Homem -
Tu quer me vender esse papel.
Tralala - Perdi o romantismo, estou na existência. Dá o que quer. (paro observando-o) Não é tão caro assim. Contracultura e autoconhecimento faz bem para a saúde.

(Duas mulher de 40 após um DVT)
Mulher - Quem está em extinção é você
(Dá uma risada olhando para a outra achando que falou uma grande coisa)

(Mulher de 50 após um DVT)
Mulher -
Mas nosso senhor lá do céu no final das contar vai arrumar isso tudo.
Tralala - Você que é mulher, que gera filhos e fica dando força para essa economia masculinista da vida, acorda: todos saimos de uma mulher (seu rosto se abre).

(Casal de 50 após um DVT)
Homem - (cara feia)
Tralala -
Meus pesames, extamos em extinção.
Homem - Vai a merda.
Tralala - Obrigado por se manifestar.
Homem - (Bravo esboça no corpo uma intençao de agressão mas é contido pela mulher)

(Homem de 70 calmo após um DVT)
Homem -
Tu fala tudo isso para cada pessoa que abordas?
Tralala - Esse é o meu texto, o meu trabalho.

(Homem de 30, musculoso, rebate o DVT)
Homem -
Tu tá com fome? Tu queres um X-salada, uma carninha?
Tralala - Não (mais DVT).
Homem - Tem certeza que não quer um X-burger?
Tralala - (saio dizendo que não sou dessa praia)
Homem - Tu é da turma do fuminho (grita em altos brados)

(Home de 50 após um DVT)
Homem -
Tu é muito engraçado. O que tu diz é verdade mas você fala de um geito muito engraçado.

(Homem de 40 após o DVT)
Homem -
Eu pago todos os meus impostos. Não preciso me preocupar com isso tudo que tu estás falando.

(Mulher de 30 durante o DVT)
Mulher -
Tu é muito chato. Já colaborei a dois anos atrás e tu vem de novo.
Tralala - Não me lembro de ti. É um outro trabalho.
Mulher - Mas tu pede sempre 2 reais por ele.
Tralala - Não é verdade. Dá o que quer. Tu leu o tralala de dois anos atrás?
Mulher - (com cara de quem jogou fora) Não sei mas tu é chato.
Tralala - Somos então dois chatos em extinção.

(Homem de 40 assustado após um DVT)
Homem -
O teu discursso é muito radical!
Tralala - Sabe que eu nem percebo. Ser radical na minha opinião é aceitar essa vida que levamos como a unica via a ser seguida. Isso que é ser um radica. Tu não achas?
Homem - (com cara de perdido concorda com a cabeça sem nunca ter tirado a duvida dos olhos)

(Homem de 50 responde após um DVT)
Homem -
Não quero. Vai trabalhar!
Tralala - Mas isso que eu faço é um trabalho.
Homem - (com cara de que não gostou) Felicidades.
Tralala - Obrigado.

DVT quer dizer "Discursso viabilizador do Tralala"

12 de dezembro de 2009

O lírismo romantico de um niilista

Publicação foto copiada, com colagens e literatura, que envolve teatro de rua e autogestão, o zine Tralala é resultado de uma introspecção. Para viabilizar a publicação, é apresentado aos pedestres como uma performance, em que toco em várias assuntos em pouco tempo, já que muitos não param de correr. Isso vem a ser o DVT – discurso viabilizador do tralala, que é um texto a respeito dos procedimentos equivocados da nossa civilização. Nós humanos nos sentimos os seres mais evoluídos, achamos que tudo está para nos servir, uma atitude prepotente que é considerada normal, que nos colocando sempre entre o bem e o mal. Então se reproduzem idéias superficiais, uma delas é a ilusão do consumo, a onde tudo dura muito pouco e induzidos, estamos sempre correndo atrás de algo novo e atual para não fazer feio na economia dos objetos. Para isso as pessoas precisam se sentir insatisfeitas e manipuladas elas alimentam a estrutura do consumo, empobrecendo suas relações.
As ruas estão ficando cada vez mais longe de serem um lugar para abstrair, pois elas demandam fluxo que não podem ser interrompidos, e transgredir esse caótico deslocamento dos transeuntes propõem uma ruptura no cotidiano, podemos dizer até uma outra ordem. Nas vias públicas passam milhares de pessoas, a mais fértil multidão de anônimos, cabe a nossa consciência, aos artistas e o teatro de rua, ao zine tralala, enfim, ir ao encontro dessa massa para tentar romper com esse ritmo frenético e sem sentido da nossa urbanidade. E nessas minhas abordagem, percebo um público que em matéria de anseios temos todos muito o que dizer, só que essa intenção confronta com os escassos canais de expressão. E sendo assim forjei o meu próprio veiculo propagador que é o zine Tralala.
O verdadeiro sentido desse trabalho é o de ampliar a consciência de todos, e nada mais adequado para o nosso tempo do que abordar as pessoas na dúbia liberdade das ruas, para dar aquele choque de sentidos que todo o civilizado precisa. Sei que essas intervenções mexem nas estruturas rígidas da cidade e de muitas instituições que somos dependentes. Mas pulsando o Tralala vai ressignificando o espaço urbano que mais parece uma via expressa do consumo.
Luca Leicam

2 de dezembro de 2009

Zine Xerocrático Autogestor

Depois de ter quase apanhado duas vezes, de ter encontrado alguns fundamentalistas que tentaram me converter, sem falar nas caras de dor de barriga e risos nervosos durante a intervenção dos DVTs, o Tralala ainda pulsa nas ruas. Esse zine é a manifestação espontânea do indivíduo que se nega a compactuar com instituições que na sua totalidade podam-no para compor a tenebrosa hegemonia do discurso.

Na ilha do truque, dos objetos, das ruas e prédios quadrados, criar é o primeiro passo para resistir, e o Tralala é isso tudo. Não é fácil vocifera com indivíduos profundamente influenciados por uma imbecilizante ideologia do consumo. Não sei até quando vou resistir na contaminação dos transeuntes com essa minha verve, mas enquanto durar, que seja sempre intenso no presente do nosso contínuo desespero.

DVT = Discurso Viabilizador do Tralala

21 de outubro de 2009

O chamado das Arvores

“Nós, do mundo das plantas, temos nosso padrão e destino, cunhados através dos tempos, e achamos muito errado que nós não possamos existir devido à humanidade e sua intromissão. A tarefa das árvores não é tanto a de fazer, mas a de Ser a Palavra. Temos nossa parte do plano a cumprir. Fomos criadas exatamente para isso, e agora, nestes tempos, para muitos de nós é possível apenas sonhar com os espaços em que podemos nos realizar em plenitude. Esse ideal está sempre à nossa frente, fora de alcance, um sonho do qual estamos nos aproximando, mas que poucas vezes se torna realidade. O planeta precisa de nós em completa maturidade. Não somos um equívoco da natureza: temos trabalho a fazer.”

Mensagem do Cipreste-de-Monterey, livro “O Chamado das Árvores” de Dorothy Maclean.

3 de outubro de 2009

24 de setembro de 2009

O desajuste necessário

É... tem erros de português mas não faz mal, eu me supero... não amarro o berro.
Uma palavra escrita mesmo errada fere no seu objetivo e o errado é não propagar a ideia por causa da regra, sabendo que temos que respeitar quem se afete.

Luca Leicam

18 de setembro de 2009

Frases que estimulam a criar

“Nossa mente é adaptada para os pequenos bandos coletores de alimentos nos quais nossa família passou 99% de sua existência, e não para as desordenadas contingências por nós criadas desde as revoluções agrícola e industrial” - Steven Pinker

“Desde a origem dos organismos unicelulares, há bilhões de anos, a vida em geral tem sido um misto de muita cooperação e competição limitada, tanto dentro das espécies como entre elas. O impulso para a cooperação é predominante e biologicamente mais importante no desenvolvimento social e biológico de todas as criaturas vivas. As espécies sobrevivem pelo aperfeiçoamento da sua capacidade de cooperação mútua. Pode-se afirmar claramente então, que a lei básica da vida é a cooperação.” – Orlick

“Uma coisa é prezar a disciplina, outra é se submeter a ela” - Miguel de Cervantes

“Uma idéia que não é perigosa não merece ser chamada de idéia” - Elbert Hubbard

“Se a sociedade o encaixa confortavelmente, você chama isso de liberdade” - Robert Frost

“Está claro que as vítimas do sistema corrente são aqueles que vivem no Terceiro Mundo e na Natureza. Eles continuarão sendo explorados sem piedade para que este sistema, que não pode funcionar sem consumir e crescer, possa continuar. (...) O que eu posso fazer a esse respeito é dizer a eles para não repetirem os mesmos erros e pensar novas idéias. E esta sociedade irá mudar. O mundo não irá ruir, mas os seres humanos sofrerão um grande trauma que durará por séculos. Eles acham que não podem mudar o dinheiro, mas isso não é verdade. Nós podemos, porque nós o fizemos.” - Michael Ende

"Se você alimentar um cão faminto e torná-lo saudável, ele não irá te morder. Esta é a principal diferença entre um cachorro e um homem" - Mark Twain


Frases selecionadas por Cássio Silveira Gomides e retiradas do site Antizero de Janos Biro

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5 de setembro de 2009

Violência e extímulo



Nessa sexta-feira ensolarada tive no calçadão da ilha fortes embates - até uma tentaiva de agressão - que estão transformando a pratica do meu trabalho nas ruas.

Nesse dia encontrei o Jorge João, um geógrafo que pesquisa a reciclagem do lixo e participa de uma ONG que gera consciência. Foi candidato a vereador pelo PV e teve mais de mil votos na ultima eleição. É descendente de açorianos e pelo seu jeito gostou muito da minha atividade.

Também encontrei mais uma vez um dos participantes do “Grupo Epopéia” um grupo de poesia de Curitiba, que divulga seu caderno nas ruas. Sempre trocamos idéias e trabalhos. O "Epopéia Nº13" está interesante.

Também recebi o livro “Dialogo de Halley” de Adilson e Fabiana Gorniack.
De uma maneira inusitada quando eu aplicava um DVT em alguém fui surpreendido pelo Adilson que entregou o seu livro sobre sustentabilidade e sem querer me atrapalhar seguiu no seu caminho. Foi qunado olhei para ele que lá de longe falou alto: “Você não está sozinho, tá bom”. Repetiu umas duas vezes essa frase e acenou fraternamente sumindo na multidão do calçadão da ilha. O Adilson que é da região de Joinvile já tinha sido abordado pelo DVT.

Também nesse dia quase apanhei de uma fera que mais parecia um urso. Não aconteceu quase nada, mas eu com meu intenso embate na rua, acabo não sendo um bom fisionomista. É muita gente que eu abordo e esse homem pelo jeito já tinha sido abordado por mim algumas vezes, foi então que deve ter encontrado em minha provocação DVTniana o fio terra para sua raiva. Esse homem de quarenta e poucos anos, alto, forte e bem vestido se voltou contra mim falando bravo que não gosta das minhas abordagens e que era para eu parar de vender segundo ele "esse papel de merda", que não valia nada. Minha reação na frente daquele enorme animal foi a de olhar bem no fundo dos seus olhos claros e falar calmamente: “Tu vai ter coragem de me agredir?”
Não sei se foi a minha calma que fez aquele homem recuar e voltar ao seu caminho, sem parar de esbravejar palavras e gestos chulos, "papel de bosta". Fiquei observando até ele se afastar, e como a entidade DVTniana estava ainda forte dentro de mim não desanimei, foquei em outra pessoa e segui na minha prática diária. Mas algum tempo depois parei e comecei a pensar fundo na situação de violência que sofri por causa da minha provocação. E ai pensei, são mais de três anos e meio nas ruas e só agora é que senti um pouco de medo. Devo estar no lucro.

No mais... vou continuar meu mantra e mergulhar na introspecção para poder explorar mais nuances da minha pesquisa.
Que assim seja...

1 de setembro de 2009

Primeiro de Setembro


Com o jogo da ressignificação do espaço urbano, o zine Tralala que está nas ruas com o DVT, que vem a ser o choque dos sentidos - aquilo que falta para a desilusão -, bem, tem dias significativos, a respeito do incentivo que alguns me dão - o Tralala é um projeto de autogestão - e quando no fim do dia faço o mecânico cálculo e vejo que esse dia rendeu, me faz acreditar em um presente bem-estar meio tardio.

Nesse dia teve muitos confrontos e jogos no calçadão, tentando na simpatia e alegria chamar a discussão para esses problemas que a maioria não tem conhecimento. Teve pessoas, e não foram poucas, que me responderam sem para e meio se defendendo do DVT, falando que não comem carne, que são vegetarianas, que fazem a sua parte.
Mas e dai, a maioria come e é a maioria que está doente, carregando a humanidade para o fosso. Será que podemos dormir com a consciência tranquila só porque não comemos carne ou porque temos a sensação de estar fazer a nossa parte. No mínimo 90% das pessoas estão ligadas ao autorama da vida, reproduzindo uma cultura sem sentido, medianda pelos objetos e sublimando contínuamente prazeres e sonhos.

Nesse dia várias pessoas que não pararam, que não tem tempo a perder e por isso me deram as costas, e muitos eram bem vestidos, que não quer dizer bem educados, tiveram que ouvir de mim alguma coisa como: "em menos de dez anos vamos devorar a Amazônia por causa do nosso apetite voraz por carne bovina. Meus pesames, estamos em extinção. Bom apetite"

Nesse dia primeiro de setembro também encontrei pessoas expanssívas, pessoas alegres e bonitas e de bem com a vida, que botaram uma boa carga nas baterias do zine Tralala.

Tem dias que desanimo.
Isso passa, basta acontecer um dia como este, um dia que parece uma
chama contemporânea a elevar-me ao ponto que percebo que estou criando. Então estou bem.

31 de agosto de 2009

Povo X Objetos

“Os povos mais primitivos do mundo têm poucas posses, mas não são pobres. Pobreza não é uma pequena quantidade de bens, nem é apenas uma relação entre meios e fins. Acima de tudo, é uma relação entre pessoas. Pobreza é um status social. Assim como é uma invenção da civilização”
Marshall Sahlins

30 de agosto de 2009

"A maquina não é a resposta, mas é profundamente, o problema"
John Zerzan



"Tudo aquilo que pode ser destruído deve ser destruído para que as crianças possam ser salvas da escravidão"
Raoul Vaneigem

18 de agosto de 2009

Zine Tralala ganha prêmio


O zine tralala ganhou um prêmio de qualidade na rede. Esse do selo ai de cima.
Fiu indicado pelo blog fuxucamarimbondo.blogspot.com
Agradeço a indicação e a premiação e dedico esse prêmio ao meu adimirador BIG CLASH lá das Minas Gerais.
Tenho que dizer cinco característica que possuo. Então... as minhas características são: expontaniedade, ansiedade, bom humor, persistência e rebeldia.

Também tenho que indicar algus blogs para concorrer a esse prêmio e os meus indicados são:

- burucutu
- janos biro
- nas ondas do mar sem fim
- a sociedade primitiva
- pobres & nojentas
- primitivista
- arquivo fiume
- diideias
- arte bicicleta mobilidade
- movimento free weed
- atos compositivos
- varal de idéias
- converse arte expandida
- agroecologia
- confraria de pensamentos
- gerrilha dos jardins

Todos esses blogs estão nos meus links.

4 de agosto de 2009

TRALALA 21

Textos dessa edição:
Sobre a Pobreza Sexual - Willful desobedience/2000
Crenças Letais - Janos Biro
As Formas de Cozinhas uma Rã - Daniel Quinn
Clique em cima da imagem para ver melhor.


28 de julho de 2009

Bicicletada de julho nesta sexta-feira

Enquanto os automotorizados gritam e esperneiam dentro de suas bolhas de conforto, status e solidão, (imóveis) nos engarrafamentos da cidade, um grupo de pessoas, coincidentemente se encontra para pedalar e se divertir pela cidade.

Não seja mais um a gritar de desespero diante da crise da (i)mobilidade urbana, tire a poeira da bicicleta, coloque a preguiça na gaveta e venha pedalar!
A Bicicletada Floripa acontece toda a última sexta-feira do mês, saindo da Concha Acústica da UFSC.
A galera começa a se concentrar a partir das 18h30 e sai para o pedal lúdico a partir das 19h.
A bicicletada acontece independentemente das condições climáticas, afinal, ninguém é feito de açúcar!
Traga seu apito e venha celebrar o meio de transporte mais eficiente e divertido que existe!
•Ana Vivian•

14 de julho de 2009

Pesquisa de campo XVI

Trata-se do retorno das pessoas a minha abordagem DVTniana na ruas. Lembrando que DVT quer dizer discurso viabilizador do Tralala

(homem de 40 rebate o DVT)
Homem –
Todos nós estamos permanentemente em extinção. É um processo natural.
Tralala – O que não é natural é o lixo disso tudo. O Homem é o único ser vivo que aniquila quem o confronta. A cidade que é um espaço artificial e simbólico, para ser mantida é inevitável a destruição de milhares de espécies ao seu redor. E ainda achamos isso normal.

(mulher de 30 responde ao DVT)
Mulher –
Meus pêsames para você que está vendendo esse papel.
Tralala – E a minha atitude de estar aqui não vale nada ? Pra muitos que estão na superfície oca do consumo parece difícil enxergar o que é obvio.

((homem de 70 responde ao DVT)
Homem –
Espero que tu morras antes do que eu.

(homem de 60 que não para de caminhar após um DVT)
Homem –
Eu já sei disso tudo, eu sou sanitarista.
Tralala – E eu um professor de teatro que busca uma autogestão (quieto e mais rápido ele caminha) A maquina não deixa você pensar. O que custa reconhecer um trabalho de impacto nas ruas assim como o meu? (calado some na multidão)

(homem de 30 após um DVT)
Homem –
A tua abordagem é fabulosa. Colaboro sim e quero te agradecer pelo teu trabalho nas ruas. Se existissem mais pessoas como você talvez esse mundo não estivesse tão imbecilizado.

(mulher de 50 tira uma nota de R$ 5,00 após um DVT)
Mulher –
Vou colaborar mas saiba que teu trabalho vale muito mais do que estou te dando. Obrigado por fazer isso por nossa humanidade.

(homem de 30 após um DVT)
Homem –
A sua teoria tem fundamento. Vou entrar no teu blog.

(mulher de 50 durante um DVT)
Mulher –
Não concordo com o que tu diz. O dinheiro, o trabalho e a espiritualidade é o único caminho. Sem isso não tem jeito.

(homem de 20 diz que já me conhece olha espantado para o Tralala)
Homem –
Tu vende esse papel ?
Tralala – O valor é livre. É uma troca. Você já leu ele?
Homem – Já dei uma olhada. Muito bom.
Tralala – Ele não vale uma colaboração?
Homem – Talvez
Tralala – Então o plano B. Toma meu endereço eletrônico e manda uma postagem. Este blog está concorrendo a um premio de qualidade na rede. Escreve a tua impressão lá. Interfira.

Plano B do Tralala


Se o interesse é muito pelo zine e não tem nada para dar em troca, eu puxo a divulgação em cartões coloridos reciclados que encontro pelas ruas da cidade.

29 de maio de 2009

Bicicletada em Floripa.

Toda a última sexta-feira do mês, sai da frente da concha acústica de UFSC às 19h00 a bicicletada de Floripa. Marcando presença contra o espaço privado das ruas que são as "caixas de ostentação de status", o automóvel, a maquina que mais mata no planeta.

6 de maio de 2009

Todo ato mecânico é mal resolvido

Eu quero dizer que estou na ativa,praticando no dia a dia a experiencia do zine Tralala, que produzo e viabilizo em certas partes dessa cidade. O Tralala é focado em uma experiência plastica de colagens, tem a face da pesquisa e principalmente o DVT existe por causa do teatro de rua.
A minha pratica vem no dia a dia provando que é possível encontrar a liberdade e os recurssos fazendo o que se pensa e acredita.
Não é possível que as sociedades só se comovam com a morte, também, consumindo tantos objetos.
Todo o ato mecânico é um ato mal resolvido.
Temos que reverter esse modo de pensar.
O teatro é um meio de conexão do corpo com a mente e portanto é um dos caminhos para o auto-conhecimento.
Acredito que umas das chaves para reverter a debilidade mental das pessoas é o teatro de rua.
A unica coisa que nós, seres humanos, diferenciamos dos outros seres vivos é o ato de ser generoso. Com isso provocamos o resgate de uma ajuda-mutua, tão praticada em tempos passados.
A expressão é um sinal que estamos para pratica-la.
Portanto sempre que possível interfira......

7 de abril de 2009

Quando perdemos a vergonha transformamos

Esse texto foi refeito em cima do anterior "Corre-se risco quando perdemos a vergonha", para compor o Tralala 21 do mes de maio.

O Tralala é um divulgador de conhecimentos, composto de poesias, textos e colagens que chamo de Discurso Resignificador de Signos, a parte plástica do trabalho. Trata-se de figuras que recortadas e coladas ao lado, sobrepostas dão outro sentido ao signo, resignificando e abrindo para outras interpretações. No início eram fotocopiados poucos exemplares, com tiragens de 30 a 150 cada numero, e eram destinado aos convivas e aleatoriamente aos desconhecidos. Mas em abril de 2006 o Tralala assumiu a sua verve e saiu para as ruas praticando na cara e na coragem a existência. Com isso surgiu o DVT - Discurso Viabilizador do Tralala, que na procura de recursos através de uma autogestão, venho abordando os transeuntes com fatos que estão acontecendo no planeta, motivados por nossa cultura econômica insustentável da competição. Esse processo das ruas efetivado a partir de abril de 2006, vem até hoje rendendo mais de mil exemplares cada numero lançado. O fanzine Tralala é quase invendável, mas através de uma atuação incisiva, sempre consigo passar em duas horas de 20 à 50 Tralalas. Quem colabora não leva só a folha A4 com seis páginas fotocopiadas que o zine é, mas contribui para uma idéia, uma tipo de uma ética consensual que somos devastadores. Para aplicar um DVT é preciso intuir e escolher o abordado, ser rápido no raciocínio e no movimento dos braços e nas pernas (principalmente se a pessoa não para de correr), prestar atenção na reação da pessoa que está levando o DVT, que vem a ser o foco da improvisação. Quando percebem realmente o que estou falando, parecem perder o ar, outros dão a impressão que vão cair no chão, e tem os ataque de risos, enfim, uma relação muito fértil essa que encontrei. As sucessivas abordagens e a manifestação de algumas questões que falo, surgiu a idéia de anotar as respostas insólitas, inusitadas e as de incentivo também. Essa outra face do Tralala acabou gerando a Pesquisa de Campo. Essa interface do Tralala são as respostas dadas após o DVT. Elas estão quase todas publicadas no zinetralala.blogspot.com. Aproveite e deixe sua impressão. Interfira.