quarta-feira, 21 de outubro de 2009

O chamado das Arvores

“Nós, do mundo das plantas, temos nosso padrão e destino, cunhados através dos tempos, e achamos muito errado que nós não possamos existir devido à humanidade e sua intromissão. A tarefa das árvores não é tanto a de fazer, mas a de Ser a Palavra. Temos nossa parte do plano a cumprir. Fomos criadas exatamente para isso, e agora, nestes tempos, para muitos de nós é possível apenas sonhar com os espaços em que podemos nos realizar em plenitude. Esse ideal está sempre à nossa frente, fora de alcance, um sonho do qual estamos nos aproximando, mas que poucas vezes se torna realidade. O planeta precisa de nós em completa maturidade. Não somos um equívoco da natureza: temos trabalho a fazer.”

Mensagem do Cipreste-de-Monterey, livro “O Chamado das Árvores” de Dorothy Maclean.

sábado, 3 de outubro de 2009

Discurso reesignificador de signos da Ilha de Santa Catarina


Apresentação meia-boca do trabalho. Não faz mal, você tem uma idéia melhor clicando em cima da foto.

domingo, 27 de setembro de 2009

gerrilhadosjardins.zip.net

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

O desajuste necessário

É... tem erros de português mas não faz mal, eu me supero... não amarro o berro.
Uma palavra escrita mesmo errada fere no seu objetivo e o errado e não propagar a ideia por causa da regra, sabendo que temos que respeitar quem se afete.

Luca Leicam

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Frases que estimulam a criar

“Nossa mente é adaptada para os pequenos bandos coletores de alimentos nos quais nossa família passou 99% de sua existência, e não para as desordenadas contingências por nós criadas desde as revoluções agrícola e industrial” - Steven Pinker

“Desde a origem dos organismos unicelulares, há bilhões de anos, a vida em geral tem sido um misto de muita cooperação e competição limitada, tanto dentro das espécies como entre elas. O impulso para a cooperação é predominante e biologicamente mais importante no desenvolvimento social e biológico de todas as criaturas vivas. As espécies sobrevivem pelo aperfeiçoamento da sua capacidade de cooperação mútua. Pode-se afirmar claramente então, que a lei básica da vida é a cooperação.” – Orlick

“Uma coisa é prezar a disciplina, outra é se submeter a ela” - Miguel de Cervantes

“Uma idéia que não é perigosa não merece ser chamada de idéia” - Elbert Hubbard

“Se a sociedade o encaixa confortavelmente, você chama isso de liberdade” - Robert Frost

“Está claro que as vítimas do sistema corrente são aqueles que vivem no Terceiro Mundo e na Natureza. Eles continuarão sendo explorados sem piedade para que este sistema, que não pode funcionar sem consumir e crescer, possa continuar. (...) O que eu posso fazer a esse respeito é dizer a eles para não repetirem os mesmos erros e pensar novas idéias. E esta sociedade irá mudar. O mundo não irá ruir, mas os seres humanos sofrerão um grande trauma que durará por séculos. Eles acham que não podem mudar o dinheiro, mas isso não é verdade. Nós podemos, porque nós o fizemos.” - Michael Ende

"Se você alimentar um cão faminto e torná-lo saudável, ele não irá te morder. Esta é a principal diferença entre um cachorro e um homem" - Mark Twain


Frases selecionadas por Cássio Silveira Gomides e retiradas do site Antizero de Janos Biro

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segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Discurso ressignificador de signos

sábado, 5 de setembro de 2009

Violência e extímulo



Nessa sexta-feira ensolarada tive no calçadão da ilha fortes embates - até uma tentaiva de agressão - que estão transformando a pratica do meu trabalho nas ruas.

Nesse dia encontrei o Jorge João, um geógrafo que pesquisa a reciclagem do lixo e participa de uma ONG que gera consciência. Foi candidato a vereador pelo PV e teve mais de mil votos na ultima eleição. É descendente de açorianos e pelo seu jeito gostou muito da minha atividade.

Também encontrei mais uma vez um dos participantes do “Grupo Epopéia” um grupo de poesia de Curitiba, que divulga seu caderno nas ruas. Sempre trocamos idéias e trabalhos. O "Epopéia Nº13" está interesante.

Também recebi o livro “Dialogo de Halley” de Adilson e Fabiana Gorniack.
De uma maneira inusitada quando eu aplicava um DVT em alguém fui surpreendido pelo Adilson que entregou o seu livro sobre sustentabilidade e sem querer me atrapalhar seguiu no seu caminho. Foi qunado olhei para ele que lá de longe falou alto: “Você não está sozinho, tá bom”. Repetiu umas duas vezes essa frase e acenou fraternamente sumindo na multidão do calçadão da ilha. O Adilson que é da região de Joinvile já tinha sido abordado pelo DVT.

Também nesse dia quase apanhei de uma fera que mais parecia um urso. Não aconteceu quase nada, mas eu com meu intenso embate na rua, acabo não sendo um bom fisionomista. É muita gente que eu abordo e esse homem pelo jeito já tinha sido abordado por mim algumas vezes, foi então que deve ter encontrado em minha provocação DVTniana o fio terra para sua raiva. Esse homem de quarenta e poucos anos, alto, forte e bem vestido se voltou contra mim falando bravo que não gosta das minhas abordagens e que era para eu parar de vender segundo ele "esse papel de merda", que não valia nada. Minha reação na frente daquele enorme animal foi a de olhar bem no fundo dos seus olhos claros e falar calmamente: “Tu vai ter coragem de me agredir?”
Não sei se foi a minha calma que fez aquele homem recuar e voltar ao seu caminho, sem parar de esbravejar palavras e gestos chulos, "papel de bosta". Fiquei observando até ele se afastar, e como a entidade DVTniana estava ainda forte dentro de mim não desanimei, foquei em outra pessoa e segui na minha prática diária. Mas algum tempo depois parei e comecei a pensar fundo na situação de violência que sofri por causa da minha provocação. E ai pensei, são mais de três anos e meio nas ruas e só agora é que senti um pouco de medo. Devo estar no lucro.

No mais... vou continuar meu mantra e mergulhar na introspecção para poder explorar mais nuances da minha pesquisa.
Que assim seja...

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Primeiro de Setembro


Com o jogo da ressignificação do espaço urbano, o zine Tralala que está nas ruas com o DVT, que vem a ser o choque dos sentidos - aquilo que falta para a desilusão -, bem, tem dias significativos, a respeito do incentivo que alguns me dão - o Tralala é um projeto de autogestão - e quando no fim do dia faço o mecânico cálculo e vejo que esse dia rendeu, me faz acreditar em um presente bem-estar meio tardio.

Nesse dia teve muitos confrontos e jogos no calçadão, tentando na simpatia e alegria chamar a discussão para esses problemas que a maioria não tem conhecimento. Teve pessoas, e não foram poucas, que me responderam sem para e meio se defendendo do DVT, falando que não comem carne, que são vegetarianas, que fazem a sua parte.
Mas e dai, a maioria come e é a maioria que está doente, carregando a humanidade para o fosso. Será que podemos dormir com a consciência tranquila só porque não comemos carne ou porque temos a sensação de estar fazer a nossa parte. No mínimo 90% das pessoas estão ligadas ao autorama da vida, reproduzindo uma cultura sem sentido, medianda pelos objetos e sublimando contínuamente prazeres e sonhos.

Nesse dia várias pessoas que não pararam, que não tem tempo a perder e por isso me deram as costas, e muitos eram bem vestidos, que não quer dizer bem educados, tiveram que ouvir de mim alguma coisa como: "em menos de dez anos vamos devorar a Amazônia por causa do nosso apetite voraz por carne bovina. Meus pesames, estamos em extinção. Bom apetite"

Nesse dia primeiro de setembro também encontrei pessoas expanssívas, pessoas alegres e bonitas e de bem com a vida, que botaram uma boa carga nas baterias do zine Tralala.

Tem dias que desanimo.
Isso passa, basta acontecer um dia como este, um dia que parece uma
chama contemporânea a elevar-me ao ponto que percebo que estou criando. Então estou bem.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Povo X Objetos

“Os povos mais primitivos do mundo têm poucas posses, mas não são pobres. Pobreza não é uma pequena quantidade de bens, nem é apenas uma relação entre meios e fins. Acima de tudo, é uma relação entre pessoas. Pobreza é um status social. Assim como é uma invenção da civilização”
Marshall Sahlins

domingo, 30 de agosto de 2009

"A maquina não é a resposta, mas é profundamente, o problema"
John Zerzan



"Tudo aquilo que pode ser destruído deve ser destruído para que as crianças possam ser salvas da escravidão"
Raoul Vaneigem

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Zine Tralala ganha prêmio


O zine tralala ganhou um prêmio de qualidade na rede. Esse do selo ai de cima.
Fiu indicado pelo blog fuxucamarimbondo.blogspot.com
Agradeço a indicação e a premiação e dedico esse prêmio ao meu adimirador BIG CLASH lá das Minas Gerais.
Tenho que dizer cinco característica que possuo. Então... as minhas características são: expontaniedade, ansiedade, bom humor, persistência e rebeldia.

Também tenho que indicar algus blogs para concorrer a esse prêmio e os meus indicados são:

- burucutu
- janos biro
- nas ondas do mar sem fim
- a sociedade primitiva
- pobres & nojentas
- primitivista
- arquivo fiume
- diideias
- arte bicicleta mobilidade
- movimento free weed
- atos compositivos
- varal de idéias
- converse arte expandida
- agroecologia
- confraria de pensamentos
- gerrilha dos jardins

Todos esses blogs estão nos meus links.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

DVT na rua

video

domingo, 16 de agosto de 2009

DVTniando no calçadão

video

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

quinta-feira, 6 de agosto de 2009


"Faça suas orações uma vez ao dia, e depois mande a consciência junto com os lençóis pra lavanderia"

TOM ZÉ

terça-feira, 4 de agosto de 2009

TRALALA 21


Conheça os pilares da civilização judaica-cristã

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Frida Kahlo

terça-feira, 28 de julho de 2009

Bicicletada de julho nesta sexta-feira

Enquanto os automotorizados gritam e esperneiam dentro de suas bolhas de conforto, status e solidão, (imóveis) nos engarrafamentos da cidade, um grupo de pessoas, coincidentemente se encontra para pedalar e se divertir pela cidade.

Não seja mais um a gritar de desespero diante da crise da (i)mobilidade urbana, tire a poeira da bicicleta, coloque a preguiça na gaveta e venha pedalar!
A Bicicletada Floripa acontece toda a última sexta-feira do mês, saindo da Concha Acústica da UFSC.
A galera começa a se concentrar a partir das 18h30 e sai para o pedal lúdico a partir das 19h.
A bicicletada acontece independentemente das condições climáticas, afinal, ninguém é feito de açúcar!
Traga seu apito e venha celebrar o meio de transporte mais eficiente e divertido que existe!
•Ana Vivian•

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Lixo seco transformado em fantoches...

Os fantoches que eu ensino e faço...


terça-feira, 14 de julho de 2009

Pesquisa de campo XVI

Trata-se do retorno das pessoas a minha abordagem DVTniana na ruas. Lembrando que DVT quer dizer discurso viabilizador do Tralala

(homem de 40 rebate o DVT)
Homem –
Todos nós estamos permanentemente em extinção. É um processo natural.
Tralala – O que não é natural é o lixo disso tudo. O Homem é o único ser vivo que aniquila quem o confronta. A cidade que é um espaço artificial e simbólico, para ser mantida é inevitável a destruição de milhares de espécies ao seu redor. E ainda achamos isso normal.

(mulher de 30 responde ao DVT)
Mulher –
Meus pêsames para você que está vendendo esse papel.
Tralala – E a minha atitude de estar aqui não vale nada ? Pra muitos que estão na superfície oca do consumo parece difícil enxergar o que é obvio.

((homem de 70 responde ao DVT)
Homem –
Espero que tu morras antes do que eu.

(homem de 60 que não para de caminhar após um DVT)
Homem –
Eu já sei disso tudo, eu sou sanitarista.
Tralala – E eu um professor de teatro que busca uma autogestão (quieto e mais rápido ele caminha) A maquina não deixa você pensar. O que custa reconhecer um trabalho de impacto nas ruas assim como o meu? (calado some na multidão)

(homem de 30 após um DVT)
Homem –
A tua abordagem é fabulosa. Colaboro sim e quero te agradecer pelo teu trabalho nas ruas. Se existissem mais pessoas como você talvez esse mundo não estivesse tão imbecilizado.

(mulher de 50 tira uma nota de R$ 5,00 após um DVT)
Mulher –
Vou colaborar mas saiba que teu trabalho vale muito mais do que estou te dando. Obrigado por fazer isso por nossa humanidade.

(homem de 30 após um DVT)
Homem –
A sua teoria tem fundamento. Vou entrar no teu blog.

(mulher de 50 durante um DVT)
Mulher –
Não concordo com o que tu diz. O dinheiro, o trabalho e a espiritualidade é o único caminho. Sem isso não tem jeito.

(homem de 20 diz que já me conhece olha espantado para o Tralala)
Homem –
Tu vende esse papel ?
Tralala – O valor é livre. É uma troca. Você já leu ele?
Homem – Já dei uma olhada. Muito bom.
Tralala – Ele não vale uma colaboração?
Homem – Talvez
Tralala – Então o plano B. Toma meu endereço eletrônico e manda uma postagem. Este blog está concorrendo a um premio de qualidade na rede. Escreve a tua impressão lá. Interfira.

Plano B do Tralala


Se o interesse é muito pelo zine e não tem nada para dar em troca, eu puxo a divulgação em cartões coloridos reciclados que encontro pelas ruas da cidade.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Bicicletada em Floripa.

Toda a última sexta-feira do mês, sai da frente da concha acústica de UFSC às 19h00 a bicicletada de Floripa. Marcando presença contra o espaço privado das ruas que são as "caixas de ostentação de status", o automóvel, a maquina que mais mata no planeta.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

quarta-feira, 27 de maio de 2009

A busca da divulgação na reciclagem colorida dos cartões

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Todo ato mecânico é mal resolvido

Eu quero dizer que estou na ativa,praticando no dia a dia a experiencia do zine Tralala, que produzo e viabilizo em certas partes dessa cidade. O Tralala é focado em uma experiência plastica de colagens, tem a face da pesquisa e principalmente o DVT existe por causa do teatro de rua.
A minha pratica vem no dia a dia provando que é possível encontrar a liberdade e os recurssos fazendo o que se pensa e acredita.
Não é possível que as sociedades só se comovam com a morte, também, consumindo tantos objetos.
Todo o ato mecânico é um ato mal resolvido.
Temos que reverter esse modo de pensar.
O teatro é um meio de conexão do corpo com a mente e portanto é um dos caminhos para o auto-conhecimento.
Acredito que umas das chaves para reverter a debilidade mental das pessoas é o teatro de rua.
A unica coisa que nós, seres humanos, diferenciamos dos outros seres vivos é o ato de ser generoso. Com isso provocamos o resgate de uma ajuda-mutua, tão praticada em tempos passados.
A expressão é um sinal que estamos para pratica-la.
Portanto sempre que possível interfira......

terça-feira, 7 de abril de 2009

Quando perdemos a vergonha transformamos

Esse texto foi refeito em cima do anterior "Corre-se risco quando perdemos a vergonha", para compor o Tralala 21 do mes de maio.

O Tralala é um divulgador de conhecimentos, composto de poesias, textos e colagens que chamo de Discurso Resignificador de Signos, a parte plástica do trabalho. Trata-se de figuras que recortadas e coladas ao lado, sobrepostas dão outro sentido ao signo, resignificando e abrindo para outras interpretações. No início eram fotocopiados poucos exemplares, com tiragens de 30 a 150 cada numero, e eram destinado aos convivas e aleatoriamente aos desconhecidos. Mas em abril de 2006 o Tralala assumiu a sua verve e saiu para as ruas praticando na cara e na coragem a existência. Com isso surgiu o DVT - Discurso Viabilizador do Tralala, que na procura de recursos através de uma autogestão, venho abordando os transeuntes com fatos que estão acontecendo no planeta, motivados por nossa cultura econômica insustentável da competição. Esse processo das ruas efetivado a partir de abril de 2006, vem até hoje rendendo mais de mil exemplares cada numero lançado. O fanzine Tralala é quase invendável, mas através de uma atuação incisiva, sempre consigo passar em duas horas de 20 à 50 Tralalas. Quem colabora não leva só a folha A4 com seis páginas fotocopiadas que o zine é, mas contribui para uma idéia, uma tipo de uma ética consensual que somos devastadores. Para aplicar um DVT é preciso intuir e escolher o abordado, ser rápido no raciocínio e no movimento dos braços e nas pernas (principalmente se a pessoa não para de correr), prestar atenção na reação da pessoa que está levando o DVT, que vem a ser o foco da improvisação. Quando percebem realmente o que estou falando, parecem perder o ar, outros dão a impressão que vão cair no chão, e tem os ataque de risos, enfim, uma relação muito fértil essa que encontrei. As sucessivas abordagens e a manifestação de algumas questões que falo, surgiu a idéia de anotar as respostas insólitas, inusitadas e as de incentivo também. Essa outra face do Tralala acabou gerando a Pesquisa de Campo. Essa interface do Tralala são as respostas dadas após o DVT. Elas estão quase todas publicadas no zinetralala.blogspot.com. Aproveite e deixe sua impressão. Interfira.

sexta-feira, 27 de março de 2009

O bem sucedido está decompondo-se

terça-feira, 10 de março de 2009

Será que existe algo melhor do que a transformação?

Não escrevo a ortografia oficial, a dita correta. Logo, tenho as minhas deficiência; mas o pouco que escrevo é mais essencial do que as regras. Estou aprendendo na prática da pesquisa. Também sei que sempre haverá um moralista de plantão que não valoriza manifestações que saiam do padrão e de sua compreensão.
Quando estou atuando nas ruas através das abordagens, sinto que o contato com as pessoas me trazem muitas reflexões. A minha atuação provoca manifestações muitas vezes condicionadas ou ingênuas, mas nunca deixando de serem expontâneas. O espontâneo é execrado nesta vida que é um mercado. O que não sabemos é que estamos sempre dando um tiro no pé quando reprimimos nos outros o que talvez seja um pouco de nós por dento, e assim acionamos a cultura com aquela cena comum, pronta, que desseca cérebros e corações. Essa experiência do confronto diário me fez traçar um tipo de termômetro comportamental dos que transitam pela ilha, que vem a ser a “Pesquisa de Campo” (todas elas estão no meu blog). Trata-se de registros e anotações das reações provocadas pela abordagem de um DVT, que quer dizer “Discurso Viabilizador do Tralala”. O DVT é um texto dinâmico que se transforma com a reação de quem está sendo abordado. É um embate rápida e gestual que geralmente tem a velocidade da narração de uma partida de futebol no rádio quando um dos times estão atacando. Uso a velocidade no discurso para contrapor o ritmo alucinado que caminham as pessoas, mastigando e digerindo os seus relógios. Essa abordagem “quixotesca” muitas vezes provoca reações de surpresa, estranheza ou espanto. O DVT tenta promove a desilusão – só assim poderemos ativar o que resta de nossa consciência. O DVT é o método que encontrei para contrapor o ar e a postura de superioridade que quase todo o ser urbano tem. O que falo nesse embate é um alerta a nossa crescente alienação tecnológica, que só faz crescer o lixo mental e material que perambulam nessa rede de controle humano.
Nesses três anos de rua o Tralala sente a rotina e o cansaço de ser um só, e ultimamente não venho me preocupando tanto se as pessoas vão entender ou mudar o seu comportamento através das conexões e linguagem que o Tralala propicia. Saio as ruas na batalha dos recursos. No isolamento da minha produção – meu trabalho é fruto desse isolamento – criei no meu cotidiano um dialogo com a improvisação teatral que vem a ser as minhas abordagens apresentando o Tralala. Nessa prática muitas vezes vi o prazer nas feições das pessoas quando mantiveram o contato com o meu zine. Algumas já me revelaram que o meu trabalho deu outro sentido a suas vidas. Só por isso já valeu a pena.

Pesquisa de campo XV

A respeito desse ser imbecil que estamos nos tornando.

DVT = Discurso Viabilizador do Tralala


(mulher de 40 após um DVT)

Mulher – Eu estava tão feliz até o senhor chegar e me falar isso tudo.
Tralala – Não dá para e gente ser feliz com um pouco de consciência?
Mulher – Não.


(mulher de 30 após um DVT)

Mulher – Mas o senhor lá de cima não vai deixar isso acontecer.
Tralala – O senhor a que tu se refere é um sistema de controle social e político do homem.
Mulher – Tu não acredita em deus?
Tralala – Se existe é deusa, não deus. Nós viemos todos de dentro de uma mulher.
Mulher – Deus não tem sexo.
Tralala – Deus é uma visão masculinista do mundo. Tu imagina uma mulher sendo deus?
Mulher – Claro que não.


(homem de 20 durante um DVT)

Homem – Olha o lixo. Vamos parar de fazer lixo. Esse papel é um lixo.
Tralala – O lixo está na tu cabeça.


(homem de 40 ouve atentamente um DVT)

Homem – A impressão que tu me dá é que você saiu da mantrix. Genial o jeito que encontraste para mostrar as tuas ideias. Muito obrigado mesmo por ter essa iniciativa única.


(homem de 50 durante um DVT)

Homem – Sai. Te afasta.


(homem de 40 repele um DVT)

Homem – Isso é uma falta de respeito e ainda por cima tu diz que vamos todos morrer.
Tralala – Digo e repito o que tu não consegue enxergar. A gente vive sem água ?
Homem – Vou te denunciar para uma autoridade.
Tralala – Esta atitude é sua. A minha é ficar aqui alertando as pessoas.
Homem – (bravo sai bufando).


(mulher de 50 que já tinha colaborado, volta para chamar a minha atenção)

Mulher – O teu trabalho é muito bom mas tem alguns erros de português.
Tralala
– Eu peço desculpa. A vontade de se expressar vai além dessas regras gramaticais.
Mulher (conformada) – Eu gostei mesmo do teu trabalho.


(homem de 40 que se acha exótico, depois de um DVT)

Homem – Eu estou longe desses problemas. Sabe por que? Porque eu nem penso neles.
Tralala – Esse pensamento é da maioria. Todo mundo pensa assim. Você não é tão anormal quanto pensas. Se tem um anormal aqui, sou eu.
Homem – (para por um instante, dá um sorriso amarelo e volta a caminhar).

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Corre-se risco quando perdemos a vergonha

Porque para dar certo devemos sempre estar vinculado a uma instituição? O Tralala tenta encontrar a liberdade no interior do trabalho, e não além dele, portanto o Tralala é uma experiência de autogestão que tenta arrecadar o seu recurso com o mínimo de dispêndio possível.

O Tralala é um zine que divulga conhecimentos. Quando começou o zine era um meio termo entre poesia e o "Discurso Ressignificador de Signos”, a parte plástica do meu trabalho que são as colagens. Trata-se de figuras que recortadas e coladas ao lado ou sobrepostas dão outro sentido ao signo, abrindo para diversas interpretações. Com o tempo o zine passou a divulgar literatura contracultural. Com poucos exemplares, a tiragem do fanzine era mínima, no início em 1996 até 2005 era distribuídos aos convivas e aleatoriamente aos desconhecidos.
Foi só em abril de 2006, agora com sua autogestão, é que o Tralala saiu para as ruas praticando o que mais tarde chamei de DVT, o “Discurso Viabilizador do Tralala”, rendendo até mais de mil exemplares cada numero lançado, e para viabilizar o zine e consequentemente minha autogestão, eu deveria através do impacto do DVT, abordar as pessoas e sugerir a troca do Tralala por uma contribuição em dinheiro, uma colaboração livre e expontânea. O fanzine Tralala é uma coisa quase invendável, eu chamo de um produto da atitude. Quem colabora não leva só a folha A4 com seis páginas que é o zine, mas contribui para uma idéia. Quase quixotescamente abordo os transeuntes com fatos que estão acontecendo no planeta e que vão gerar cada vez mais destruição e catástrofes. Para aplicar um DVT é preciso ter tato na escolha do abordado, rapidez de rasciocínio, dicção, movimento nos braços e nas pernas – principalmente se a pessoa não para de correr, que é a maioria –, e uma percepção na reação da pessoa que está levando o DVT, que vem a ser o foco da minha improvisação. Quando alguns percebem realmente o que estou falando parece que vão cair no chão, outros perdem o ar tal o grau de impacto do DVT.
Com essa rotina desenvolvida através de improvisações teatrais e muita leitura, acabou gerando o DVT ou o que agora estou chamando de teatro DVTniano de rua.
Com sucessivas abordagens e o retorno do público surgiu a idéia de registrar e anotar as respostas insólitas, inusitadas e as de incentivo também. Elas estão todas publicadas no meu blog . São anotações das reações das pessoas, o que elas respondem e pensam a respeito das questões que meu trabalho apresenta. Essas anotações das respostas após os DVTs eu dei o nome de “Pesquisa de Campo”.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Tralala 20

Tralala 19

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Pesquisa de Campo XIV

DVT é o discurso viabilizador do tralala. Uma estratégia performática de acordar e angariar recursos com os transeuntes.

(homem de 30 engravatado responde após um DVT)
Homem -Enquanto houver oxigenio e água para o meu filho eu não vou parar de fazer o que estou fazendo.

(mulher de 40 após o DVT)
Mulher -
O ser humano pode estar em extinção, mas o brasileiro não.

(homem de 50 durante um DVT)
Homem
- Extinção? Isso nunca vai ocorrer.
Tralala - Com a sujeira que fazemos, pode haver a possibilidade de transmutarmos para ratos ou baratas.

(homem de 40 diz que já me observava, mostra um livro)
Tralala
- Renato Cohem, Performace como Linguagem, eu já li este livro. O que eu faço é um pouco influência dessa fonte.
Homem - Eu estava observando a tua performace, muito bom o teu trabalho. Agora quero ver este que está na tua mão.
Tralala - Pega, é teu.
Homem - (colabora e leva o T19)

(mulher de 30 na UFSC durante um DVT)
Mulher - Já tenho. Já li.
Tralala (acompanhando a sua marcha) - Pela tua reação não deve ter gostado.
Mulher - É, algumas coisas eu não concordo.
Tralala - O que seria.
Mulher - Agora não posso falar. Estou com pressa. Amanhã.

(jovem na UFSC se declara ao tralala)
Jovem - Sabe, eu te adimiro profundamente por tudo isso que você vem fazendo.
Tralala - São retornos como este que meu trabalho continua.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Radical Graphics

Jardinagem Libertária

"Eu não sou jardineiro que planta árvores porque árvores são bonitas. Não, eu digo que hoje as árvores são mais inteligentes do que as pessoas."
Joseph Beuys, 1984

“Enquanto houver civilização, somos todos espécies ameaçadas.
A máquina civilizatória, guiada pelo progresso (leia-se transformar florestas em caixas de concreto e desertos de monocultura) deve ser parada a qualquer custo.
O argumento da elite é de que a simples desaceleração da máquina causaria mortes e sofrimento para todos, mas isso é só uma desculpa para manter seus padrões surrealistas de superconsumo sempre crescente. Nossas obrigações são: recuperar modos de vida em simbiose com o macroorganismo Gaia e acelerar o colapso da civilização capitalista-industrial.”

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Pratrica Radical

"A informação que temos não é a que desejamos. A informação que desejamos não é a que precisamos. A informação que precisamos não está disponível” john peers

“Às vezes, a única coisa verdadeira num jornal é a data” Luís Fernando Veríssimo

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Pimenta Negra

Boicotar o Natal é
resistir ao marketing,
à propaganda insidiosa e
à manipulação dos sentimentos
humanos para efeitos
comerciais e religiosos

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Colagem feita em 1990

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Pesquisa de Campo XIII

(mulher de 30 no calçadão após um DVT)
Mulher
– Eu vou colaborar só pelo teu discurso. Como tu fala rápido.
Tralala – (reforçando o DVT)
Mulher – Não precisa gastar saliva, tu já me convenceu. Guarda para os outros.

(mulher de 50 depois de um DVT)
Mulher
– Eu tenho consciência disso. Faço a minha parte e estou satisfeita.
Tralala – Saiba que é muito pouco perto do processo de imbecilização que a maioria dos seres humanos sofrem.

(casal de 30 ri durante um DVT)
Tralala
– Vocês tem consciência que o ser humano está em extinção ?
Casal – (rindo nervosamente acena com a cabeça que sim)
Tralala – Não me convenceu. Quando for para pensar não vai dar mais tempo.

(homem de 40 cheio de sacolas e uma pasta de couro transpassada no peito)
Homem
– Como é que tu tem coragem de fazer isso aqui. Nesse calçadão só passa imbecil.
Tralala – Por isso mesmo. E o recurso que levanto com o zine é vital para a minha vida atual.
Homem – (sensibilizado com a cabeça puxa uma nota de R$1)

(homem de 60 após um DVT)
Homem
– Isso tudo faz parte da nossa evolução.
Tralala – Fumaça, sujeira, miséria faz parte da nossa involução.

(mulher de 40 depois de um DVT)
Mulher (com ar de conselho)
– Deus sabe o que está fazendo.
Tralala (devolvendo o ar de conselho) – Pensando assim a nossa consciência nunca vai despertar.
(Foi um sorriso para cada lado)

(duas meninas sem parar no calçadão ouvem um DVT)
Menina 1 (olha para a minha camisa)
– E essa
camisa limpa não é consumismo ?
Tralala – Não é não. Essa camisa ganhei hoje da minha mãe. Que pena que tu focalizou o superficial e não vai conhecer o tralala.
Menina 2 (olha para mim e puxa a menina 1)